Dirceu Villa 
ÜbersetzerIn

auf Lyrikline: 3 Gedichte übersetzt

aus: portugiesisch nach: englisch

Original

Übersetzung

angst brazileira II

portugiesisch | Dirceu Villa

pedicures de plati
tudes! des in tegr ado
verso abre com
inter
rogação:

? que persegue
plumas num afã
de empalhar
a intuição:

agora o quê
será como
e o como
jamais será quando

tragar o preto
do branco
plutocrata
da página

pelotas de trava
línguas
pétala
antiromântica sim mas
atrozgeriátrica

prostética
oh pedicures de pla
titudes de plástico
sua voz de timbre metálico.

© Dirceu Villa
aus: Icterofagia
São Paulo: Hedra, 2008
Audio production: Literaturwerkstatt Berlin 2012

brazilian angst II

englisch

pedicures of plati
tudes! des in tegr at ed
verse opens with
ques
tion mark:

? that pursues
plumes in the toil
of stuffing
intuition:

now the what
will be how
and the how
will never be when

take the black
out of page’
s pluto
cratic white

pellets of tongue
twisters
antiromantik
petal yeah but
geriatricatrocious

prosthetic
o pedicures of pla
stic platitudes
your metallic timbre intact.

Translated by Dirceu Villa

O cutelo

portugiesisch | Dirceu Villa

São ossos. E às vezes, a banha amarela nos ossos;
e às vezes, o sangue vermelho nas unhas.
São porcos, ou são as cabeças dos porcos,
penduram num gancho as cabeças,
ou a cara de estúpida morte dos porcos
no vidro embaçado do açougue.
Ou o branco, mas branco embebido de rosa,
o sangue no sonho de tripas,
sonha o açougueiro: que empunha um cutelo.
E o branco avental que se banha
ou que bebe, o sangue que salta dos nervos
num abraço com ossos, onde vibra o cutelo,
e como brilha o cutelo que corta:
é essa a virtude do aço no punho, que sobe,
ou a ameaça na roda vazia que o prende
no espaço do açougue, visível aos olhos,
anúncio de corte. Ou espeta seu fio numa pedra,
e o único olho vazio se concentra, à espera da carne.
São cortes na pedra lanhada de sangue,
ou fendas, de onde a morte o espreita,
açougueiro no sonho vermelho, acariciando
o fio afiado, o sorriso sutil do cutelo,
que corta. E então o cutelo é outra coisa:
nem porcos, nem nervos, nem ossos,
nem mesmo o açougueiro que o sonha,
mas parte extensiva do braço que o vibra,
e parte indelével do que ele mutila,
o fio afiado, o sorriso sutil do cutelo, que corta.

© Dirceu Villa
aus: Icterofagia
São Paulo: Hedra, 2008
Audio production: Literaturwerkstatt Berlin 2012

The Cleaver

englisch

Bones. Sometimes, yellow lard on the bones;
and sometimes, red blood in the nails.
There are pigs, or heads of pigs,
they hang the heads on a hook,
or the pigs’ stupid face of death
in the dim glass of a slaughterhouse.
Or the white, but a white soaked in pink,
gore in the dreaming of guts,
dreams the butcher: of handling a cleaver.
And the white apron that drenches in,
or drinks the blood springing from nerves
in a hug with the bones, where the cleaver strikes,
and how it gleams the cleaver that cuts:
that’s the virtue of steel in the fist going up,
or the threat of the empty circle that hangs it
on the slaughterhouse wall, to the naked eye,
announcement of cut. Or pricks the edge in a rock,
and the one empty eye concentrates, waiting for meat.
Stabs in the rock slashed with blood,
or cracks, from where death comes lurking
the butcher in his dream of red, stroking
the keen edge, the sneaky smile of the cleaver,
that cuts. And then the cleaver is something else:
not pigs, nor nerves, nor bones,
not even the butcher that dreams it,
but extended part of the vibrating arm
and indelible part of what it maims,
the keen edge, the sneaky smile of the cleaver, that cuts.

Translated by the author

a receita da bomba num caderno de culinária

portugiesisch | Dirceu Villa

explodem
            as compotas de gengibre os carros prédios ônibus espaciais as bolsas de valores homens
explodem
            navios as granadas os postos de gasolina apartamentos em principados páginas de jornal
explodem
            as capas de revistas os jogos o vesúvio minas adormecidas vazamentos de gás sempre
explodem
            as culpas os segredos as cabeças dos políticos diante das câmeras de tv sorvetes também
explodem
            submarinos nucleares reputações tensões sociais aneurismas botões de flor e oh bombas de
chocolate!

© Dirceu Villa
aus: Icterofagia
São Paulo: Hedra, 2008
Audio production: Literaturwerkstatt Berlin 2012

the bomb recipe found in a recipe book

englisch

they explode
            ginger jam pots the cars the buildings space shuttles the stock market
they explode
            ships grenades petrol stations flats in principalities newspaper pages
they explode
            magazine covers games the vesuve old landmines gas leaks oh yes
they explode
            the guilts the secrets the heads of politicians on live tv cams ice creams
they explode
            nuclear submarines reputations social tensions aneurysms rose buds oh!
chocolate bombs!

Translated by the author