Viviane de Santana Paulo 
ÜbersetzerIn

auf Lyrikline: 4 Gedichte übersetzt

aus: deutsch nach: portugiesisch

Original

Übersetzung

botanischer garten

deutsch | Jan Wagner

dabei, die worte an dich abzuwägen -
die paare schweigend auf geharkten wegen,
die beete laubbedeckt, die bäume kahl,
der zäune blüten schmiedeeisern kühl,
das licht aristokratisch fahl wie wachs -
sah ich am hügel gläsern das gewächs-
haus, seine weißen rippen, fin de siècle,
und dachte prompt an jene walskelette,
für die man sich als kind den hals verdrehte
in den museen, an unsichtbaren drähten,
daß sie zu schweben schienen, aufgehängt,
an jene ungetüme, zugeschwemmt
aus urzeittiefen einem küstenstrich,
erstickt an ihrem eigenen gewicht.

© Berlin Verlag
aus: Guerickes Sperling
Berlin : Berlin Verlag, 2004
Audio production: Literaturwerkstatt Berlin 2010

jardim botânico

portugiesisch

as palavras pesando em ti
casais silenciosos vagando para lá e para cá
os canteiros cobertos de folhas, as árvores nuas
o gélido brotando das cercas de ferro forjado
a luz aristocrática pálida como cera
avistei no alto do morro os vidros da estufa
suas costelas brancas, fin de siècle,
e logo pensei naquele esqueleto de baleia
para o qual se vira a cabeça quando criança
no museu, preso nos cabos invisíveis,
parecendo flutuar, suspenso,
nesses monstros alagados, encalhados
saídos das remotas profundezas insondáveis da encosta
sufocados com o seu próprio peso

Tradução: Viviane de Santana Paulo

nature morte

deutsch | Jan Wagner

ein großer fisch, gebettet auf eine zeitung,
 ein tisch aus holz in einer hütte in
 der normandie. ganz still, ganz warm - die luft
 strickt wollene socken. du kannst ihn berühren oder
 auch nicht, seine silbrigen schuppen gleich langen reihen
 von noten einer kühlen symphonie. sein kopf
 ist ab, sonst könnte er, gesetzt den fall
 daß fische lesen können, lesen
 was über seiner rückenflosse steht
 und ihm souffliert: "was tun sie, diese leute?"
 das licht entzieht sich leise, das papier
 nimmt tropfenweise meere in sich auf.
 au fond de l'image drischt der atlantik dröhnend
 die jüngsten vermißtenanzeigen in den strand.

© beim Verlag
aus: Probebohrung im Himmel
Berlin: Berlin Verlag, 2001
ISBN: 3-8270-0071-8
Audio production: 2002, M. Mechner, literaturWERKstatt berlin

natureza morta

portugiesisch

um grande peixe, embrulhado em um jornal,
uma mesa de madeira em uma cabana na
normandia. totalmente parado, quente – o ar
tece meias de lã. você pode tocá-lo ou
não, suas escamas prateadas como uma longa pauta
de notas de uma sinfonia fresca. sua cabeça
está cortada, senão ele poderia, supondo
que peixes pudessem ler, ler
o que estaria escrito sobre a barbatana dorsal
assoprando-lhe: “o que fazem estas pessoas?”
a luz se retrai suave, o papel
absorve mar gota por gota.
ao fundo da imagem debulha o atlântico vibrando
os anúncios mais recentes de desaparecidos na praia.

Tradução: Viviane de Santana Paulo

der westen

deutsch | Jan Wagner

der fluß denkt in fischen. was war es also,
das sergeant henley ihm als erster
entriß, die augen gelb und starr, die barteln
zwei schürhaken ums aschengraue maul,
das selbst die hunde winseln ließ?

die stromschnellen und ihre tobende
grammatik, der wir richtung quelle folgen.
die dunstgebirge in der ferne,
die ebenen aus gras und ab und zu
ein eingeborener, der amüsiert
zu uns herüberschaut und dann
im wald verschwindet: all das tragen wir
in adams alte karte ein, benennen
arten und taten. fieber in den muskeln
und über wochen die diät aus wurzeln
und gottvertrauen. unterm hemd die zecken
wie abstecknadeln auf der haut: so nimmt
die wildnis maß an uns.

seltsames gefühl: die grenze
zu sein, der punkt, an dem es endet und
beginnt. am feuer nachts kreist unser blut
in wolken von moskitos über uns,
während wir mit harten gräten
die felle aneinander nähen, schuhe
für unser ziel und decken für die träume.
voraus das unberührte, hinter uns
die schwärmenden siedler, ihre charta
aus zäunen und gattern; hinter uns
die planwagen der händler,
die großen städte, voller lärm und zukunft.

© Berlin Verlag
aus: Achtzehn Pasteten
Berlin: Berlin Verlag, 2007
Audio production: Literaturwerkstatt Berlin 2010

o ocidente

portugiesisch

o rio imagina peixes. o que foi aquilo
que o sargento henley lhe arrancou logo
de início, os olhos amarelos e hirtos, os bigodes
dois colchetes à volta do focinho cinza
que fazem até o cão gemer?

a velocidade da correnteza e a sua relutante
gramática que nos segue em direção à fonte.
as montanhas sedentas ao longe,
a planície de grama e aqui e ali
um nativo que se diverte
em nos observar e depois
desaparece na floresta. registramos tudo
no velho mapa de adam, classificando
espécies e atitudes. a febre nos músculos
e durante semanas manter-se com a dieta de raízes
e a confiança em deus. debaixo da camisa os carrapatos
dando alfinetadas na pele: assim captamos
a dimensão do selvagem em nós.

estranho sentimento: ser
a fronteira, o ponto, no qual se finda e
começa. ao redor do fogo, à noite, nosso sangue circulando
sob as nuvens de mosquitos
enquanto costuramos com espinhas duras
os couros dos sapatos
para o nosso destino e das cobertas para os sonhos.
adiante o inatingível, atrás de nós
as aldeias dispersas, suas escrituras
de cercas e portões, atrás de nós
os transportes dos comerciantes,
as grandes cidades, cheias de ruídos e futuro.

Tradução: Viviane de Santana Paulo

champignons

deutsch | Jan Wagner

wir trafen sie im wald auf einer lichtung:
zwei expeditionen durch die dämmerung
die sich stumm betrachteten. zwischen uns nervös
das telegraphensummen des stechmückenschwarms.

meine großmutter war berühmt für ihr rezept
der champignons farcis. sie schloß es in
ihr grab. alles was gut ist, sagte sie,
füllt man mit wenig mehr als mit sich selbst.

später in der küche hielten wir
die pilze ans ohr und drehten an den stielen -
wartend auf das leise knacken im innern,
suchend nach der richtigen kombination.

© beim Verlag
aus: Probebohrung im Himmel
Berlin: Berlin Verlag, 2001
ISBN: 3-8270-0071-8
Audio production: 2002, M. Mechner, literaturWERKstatt berlin

champinhons

portugiesisch

encontramo-os na floresta em uma clareira
duas expedições atravessando o crepúsculo
que se contemplavam caladas. entre nós o inquietante
zumbir telegráfico do enxame de mosquitos

minha avó era famosa pela sua receita
de champinhons recheados que ela levou junto
ao túmulo. tudo que é bom, dizia ela
precisa ser recheado com pouco mais do que de si mesmo

mais tarde na cozinha levávamos
os cogumelos ao ouvido e partíamos o cabo
esperando o ruído suave do seu quebrar lá dentro
na procura da combinação certa

Tradução: Viviane de Santana Paulo