Cuti
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ÜBER DIE NARBEN (الألمانية)
SOBRE AS CICATRIZES
até mesmo o lamento possa olhar nos olhos sem se ajoelhar não seja a poesia o álibi a quem imolou a dignidade ao invés de se rebelar contra a ridícula maldição etílica de noé sejamos mais felizes ao desnudar as partes do livro para que a beleza floresça mais fecunda sobre as cicatrizes é também um jogo de búzios o poema à beira deste fogo onde no crepitar das chamas a paixão responde ao “-que farás?”: - QUE FAREMOS? irmão, minha irmandade nada tem de rosário meu deus é revolucionário histórias libertárias ainda são narradas na maciez do escuro por isso da melancolia vamos extrair o mel e não as cólicas místicas que avalancham de silêncio e cal nossas línguas e nos rodeiam com fantasmas de senhores de engenho e anjos entoando sabemos com o quanto de branco se desfaz uma pessoa colorida quando a cidade pobre de curvas faz seu trottoir em nosso anseio roda a bolsinha recheada de angústia racismos e pesadelos exibindo seu titubeio e de nada adianta ofertares a outra face traseira porque os judas, eles, te chutam do mesmo jeito e dão normal seguimento à liturgia abençoando a mais-valia teus cueiros borrados de alvuras não se esfregam no cenho não se lavam no pranto mas nas ondas de um novo canto brilhantes e puras que nos vêm do âmago e o poema é também um ebó de sonho e sangue na encruza do que se crê (-laroiê!) estamos libertando do pelourinho a palavra e com suas asas tingiremos de alegria o hesitante horizonte das metáforas magoadas e das metáforas medrosas. Cuti (Flash Crioulo sobre o Sangue e o Sonho)



