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Ana Luisa Amaral

Ana Luisa Amaral

الشعر المعاصر
البرتغالية

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Ana Luisa Amaral

[Audio] 

[You can read this poem in the following translations]:

Vergangenheit (الألمانية)

PASSADO

Ah velha sebenta 
em que escrevia as minhas composições de Francês 
“Mes Vacances”: gostei muito das férias 
je suis allée à la plage (com dois ee, 
o verbo ètre pede concordância), j’ai beaucoup 
nagé e depois terminava com o sol a pôr-se 
no mar e ia ver gaivotas ao dicionário 

As correcções a vermelho e o Passé Simple, 
escrever cem vezes nous fûmes vous fûtes ils fúrent 
as tardes de sol 
e Madame Denise que dizia Toi ma petite 
com ar de sargento e a cara zangada a fazer-se 
vermelha (tenho glóbulos a mais, faites attention) 
e o olhar que desmentia tudo 
em ternura remplit 

E as regras decoradas e as terminações 
verbais a i s, a i s, a i t, 
a hora de estudo extra e o sol de fim de tarde 
a filtrar-se pelas carteiras, 
a freira a vigiar distraída em salmos 
eu a sonhar de livro aberto 
once upon a time there was a little boy 
e as equações de terceiro grau a uma 
incógnita 

Ah tardes claras em que era bom 
ser boa, não era o santinho nem o rebuçado 
era a palavra doce a afagar-me por dentro, 
as batas todas brancas salpicadas de gouache 
colorido e o cinto azul que eu trazia sempre largo 
assim a cair de lado à espadachim 

As escadas de madeira rangentes 
ao compasso dos passos, sentidas ainda 
à distância de vinte anos, 
todas nós em submissa fila a responder à chamada,
“Presente” parecia-me então lógico e certo
como assistir à oração na capela e ler as Epístolas
(De São Paulo aos Coríntios:
Naquele tempo...),
tem uma voz bonita e lê tão bem, e depois
mandavam-me apertar o cinto para ficar
mais composta em cima do banquinho,
à direita do padre

E o fascínio das confissões,
as vozes sussurradas na fina teia de madeira
castanha a esconder uma falta,
o cheiro do chão encerado e da cera das velas 
e quando deixei de acreditar em pecados 
e comecei a achar que as palavras não prestam 
e que era inútil 
inútil a teia de madeira 

Ah noites de insónia à distância de vinte anos, 
once upon a time there was a little boy 
and he went up on a journey 
there was a little girl, une petite fille 
e o passé simple, como parecia simples o passado 

Au clair de la lune 
mon ami Pierrot 
Prête-moi ta plume 
pour écrire un mot

Escrever uma palavra 
uma só 
ao luar 
a pedir concordância como uma carícia 
Elles sont parties, 
les mouettes 


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© Ana Luisa Amaral

[From]: Minha Senhora de Quê

[Audio production]: Literaturwerkstatt Berlin 2008