Armando Artur

Armando Artur

Contemporary Poetry
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Armando Artur

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Der Berg Tumbine (German)

MONTE TUMBINE


Ainda é possível adormecer
e acordar com a lembrança duma espiga
de milho acenando ao Minotauro.
A tempestade não regressa tão já.
O monte Tumbine desabou
porque a procissão já ia no adro quando
os grilos pararam de sussurrar à gente.
Os deuses não foram feitos de vertigem.
E nem de bruma. Mas há quem diga
que as pedras já não segredam com os mortos,
para não sonegar o nome das coisas.
Nem sombra, nem rasto
e nem uma única pluma das corujas.
Tudo se foi como se nada houvesse
nem princípio, nem fim.

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© Armando Artur

From: Os Dias em Riste

Associação dos Escritores Moçambicanos, Maputo 2002

Audio production: 2008 Literaturwerkstatt Berlin