Maria do Rosário   Pedreira

Maria do Rosário Pedreira

Gegenwartslyrik
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Maria do Rosário Pedreira

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Dieses Gedicht liegt in folgenden Übersetzungen vor:

[Komm zu mir, bevor ich vor Liebe sterbe – das Blut] (Deutsch)

[Vem ver-me antes que eu morra de amor — o sangue]




Vem ver-me antes que eu morra de amor — o sangue 
arrefece dentro do meu corpo e as rosas desbotam 
nas minhas mãos. Da minha cama ouço a tempestade 
nos continentes; e já quis partir, deixar que o vento 
levasse a minha mala por aí; fiz planos de correr mundo 
para te esquecer — mas nunca abria a porta. 

Vem ver-me enquanto não morro, mas vem de noite — 
a luz sublinha a agonia de um rosto e quero que me recordes 
como eu podia ter sido. Da minha cama vejo o sol 
tatuar as costas do meu país; e já sonhei que o perseguia, 
que desenhava o teu nome no veludo da areia e sentia 
a vida pulsar nessa palavra como um músculo tenso 
escondido sob a pele — mas depois acordava e não ia. 

Vem ver-me antes que morra, mas vem depressa — 
os livros resvalam-me do colo e o bolor avança 
sobre a roupa. Da minha cama sinto o perfume das 
folhas tombadas nos caminhos, O outono chegou. E o quarto 
ficou tão frio de repente. E tu sem vires. Agora 
quero deitar-me no tapete de musgo do jardim e ouvir 
bater o coração da terra no meu peito. Os vermes 
alimentam-se dos sonhos de quem morre. E tu não vens. 
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© Maria do Rosário Pedreira

Aus: O Canto do Vento nos Ciprestes

Gótica, Lisboa 2001

Audioproduktion: Casa Fernando Pessoa, 2011